A História do Projeto Musical no HU-UFGD
O projeto musical conhecido como “Seresteiras do HU” surgiu de um desejo genuíno de levar alegria e acolhimento aos pacientes, acompanhantes e funcionários do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD). Idealizado no final de 2015, o projeto nasceu em uma época de festividades natalinas, quando um grupo de colaboradores decidiu se reunir para celebrar e homenagear os colegas de trabalho, proporcionando um momento musical que contagiou a todos.
A primeira atividade foi uma apresentação de carolers, que se tornou um local de união e alegria dentro da instituição. Desde então, a proposta foi se expandindo e, conforme o projeto evoluiu, as Seresteiras passaram a realizar apresentações em diferentes datas comemorativas e eventos, sempre com o intuito de amenizar o ambiente hospitalar e humanizar o atendimento.
Comemorar uma década de existência é uma vitória significativa, e isso foi celebrado com uma edição especial chamada “Seresta Natalina: Especial 10 anos”. Nesta ocasião, antigos e novos membros do grupo se reuniram para recriar a essência das primeiras apresentações, mantendo viva a tradição que tanto resgata a autoestima e o bem-estar de quem passa pela unidade de saúde.
Um Presente de Natal que Virou Tradição
A transição de uma simples apresentação natalina para um projeto contínuo reflete a capacidade do HU-UFGD em adaptar-se às necessidades emocionais de sua comunidade. O que começou como um gesto de gratidão e celebração, foi transformado em uma tradição que se firmou no calendário do hospital, contando com a participação de colaboradores de diferentes setores.
O reconhecimento do trabalho realizado pelos membros das Seresteiras vem de todos os ângulos da instituição. Essa prática não só oferece entretenimento, mas também cria um espaço onde é possível expressar carinho e empatia, especialmente em um ambiente que muitas vezes pode ser desafiador para pacientes e seus familiares. As apresentações, que variam desde canções clássicas de Natal até músicas populares e inspiradoras, se tornaram um alicerce de apoio emocional e psicológico.
Ao longo dos anos, a participação das Seresteiras beneficiou não apenas os pacientes, mas também os próprios colaboradores. O ambiente hospitalar é intenso, e momentos de descontração são fundamentais para promover a saúde mental de quem ali trabalha. Assim, a seresta torna-se um presente não apenas para os que recebem as músicas, mas também para aqueles que se permitem fazer parte desse belo projeto.
A Importância da Música na Saúde
Diversos estudos demonstram que a música pode ter efeitos positivos significativos na saúde e no bem-estar. A prática de ouvir ou participar de atividades musicais pode reduzir níveis de estresse, ansiedade e depressão, além de fortalecer a sensação de pertencimento e comunidade. Importantes princípios de humanização na saúde, a música se torna um poderoso aliado nesse processo.
No contexto hospitalar, a música atua como uma terapia complementar, ajudando na recuperação física e emocional dos pacientes. Os benefícios são muitos: melhora da circulação sanguínea, redução da percepção da dor e aumento da disposição geral. Quando as Seresteiras do HU levam suas canções pelos corredores, elas não apenas oferecem um momento de alegria, mas também contribuem para o processo de cura de muitos.
As músicas tocadas nas serestas são cuidadosamente escolhidas para que remontem às memórias e emoções positivas dos ouvintes. Essa conexão emocional é crucial no tratamento e recuperação dos pacientes, proporcionando alívio em momentos difíceis e lembranças de tempos melhores.
Momentos Memoráveis do Projeto
Olhar para a trajetória das Seresteiras do HU-UFGD é rememorar uma série de momentos inesquecíveis que emocionaram pacientes e colaboradores. Desde a primeira apresentação, realizada em dezembro de 2015, até as serestas virtuais durante a pandemia, cada evento foi marcado por experiências únicas.
Um dos momentos mais marcantes foi a seresta especial de Natal de 2020, onde o grupo, se adaptando às exigências sanitárias, conseguiu realizar apresentações virtuais. Essa iniciativa permitiu que várias pessoas tivessem acesso às canções e mensagens de esperança, mesmo à distância. Os vídeos, muitos deles assistidos por pacientes internados, mostraram que a música é um elo que une mesmo em tempos de isolamento.
Outro episódio marcante foi um evento realizado em homenagem ao Dia das Mães, onde as crianças internadas puderam participar com suas mães em um clima de celebração e amor. Esses encontros não apenas amenizam o ambiente hospitalar, mas terceiros, como avós e tios, se emocionaram junto com eles, celebrando a importância do laço familiar e do carinho que a música pode proporcionar.
A Experiência de Cantar nos Corredores
Cantar nos corredores do hospital é uma experiência que vai além da simples performance musical. Para os membros das Seresteiras, cada apresentação é uma oportunidade de interação e mudança de clima. Cantar em um ambiente hospitalar exige sensibilidade e empatia, já que os participantes precisam estar cientes do estado emocional dos ouvintes.
A sensação de levar música a quem está vulnerável é indescritível. Cada sorriso recebido e cada lágrima de emoção demonstram que, embora a música possa parecer um entretenimento simples, ela exerce uma função vital no apoio emocional dos presente. Entrelaçados nas apresentações, os temas abordados geralmente focam em esperança, amor e superação, temas que reverberam fortemente entre aqueles que estão enfrentando momentos difíceis.
Além disso, essa experiência proporciona aos cantores um crescimento pessoal, permitindo que eles também reavaliem sua percepção do trabalho no hospital. Os momentos de interação durante e após as apresentações costumam se converter em diálogos motivadores, reforçando a rede de apoio e amizade entre colegas e pacientes.
Impacto Emocional nas Internações
O impacto emocional causado pela música durante as internações hospitalares é profundo. Embora seus efeitos possam variar de pessoa para pessoa, a música sempre tende a criar um ambiente mais acolhedor. Pacientes que estão enfrentando dor, insegurança e medo são significativamente tocados quando entendem que alguém se importa e está disposto a levar um pouco de alegria até eles.
Os relatos de pacientes que se sentiram mais confortados durante suas estadias são muitos. O envolvimento emocional que a música provoca pode servir como um combustível psicológico, auxiliando na recuperação e proporcionando um sentido de normalidade em um ambiente que muitas vezes parece ameaçador. Essas experiências muitas vezes são gravadas na memória dos pacientes, criando um espaço seguro onde eles podem se conectar contigo através da música.
Cantar e ouvir música pode estimular a liberação de endorfinas, substâncias químicas que propiciam uma sensação de bem-estar. Comprovadamente, há um impacto positivo na circulação, na respiração e em questões relacionadas a estresse e ansiedade, tudo isso muito importante no contexto dos cuidados de saúde.
Como as Seresteiras Unem a Comunidade
As Seresteiras do HU têm um papel fundamental na construção do sentimento de comunidade dentro do hospital. Ao unir vozes e talentos de diferentes setores, o projeto não apenas promove a música, mas também reforça laços sociais e profissionais que muitas vezes podem estar negligenciados no cotidiano corrido de um hospital.
Essa união traz à tona qualidades de cada participante, permitindo que eles demonstrem um lado mais humano e menos atarefado. Os ensaios se transformam em momentos de descontração e conexão, onde os colaboradores podem relaxar e se divertir, criando uma rede de amizade que perdura além dos muros do hospital.
O senso de pertencimento é fortalecido durante as atividades, e cada apresentação é uma celebração do trabalho em equipe. Além disso, o fato de todos se reunirem com um objetivo em comum, que é levar felicidade aos outros, cria um laço emocional que é difícil de quebrar. Esse espírito de camaradagem revela-se necessário em ambientes altamente demandadores como os hospitais.
Desafios Durante a Pandemia
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios significativos para o projeto musical. As limitações de encontros presenciais e as novas normas de segurança impuseram um grande obstáculo para as Seresteiras. Entretanto, como já mencionado, a equipe se adaptou rapidamente, desenvolvendo soluções criativas para manter a conexão com pacientes e profissionais.
As serestas virtuais foram uma solução inovadora que possibilitou que a música alcançasse os internados e os colaboradores de maneira segura. Usando recursos tecnológicos, vídeos foram gravados e distribuídos, permitindo que os afetos e a alegria das festividades natalinas não fossem perdidos, mesmo durante momentos de isolamento.
Além disso, as serestas virtuais personalizadas para pacientes internados com COVID-19 destacaram a importância da adaptação. Essas ações eram especialmente críticas, já que muitos internados não podiam receber visitas. O potencial de afeto, mesmo virtual, teria um efeito duradouro nas experiências dos pacientes, ajudando a amenizar a solidão e a angústia sentidas em tempos difíceis.
Os Benefícios da Música para Pacientes
A música tem um poder inegável de cura. Nos últimos anos, o reconhecimento desse poder impulsionou a implementação de terapias musicais em instituições de saúde ao redor do mundo. No contexto do HU-UFGD, os benefícios da música são evidentes, e muitos pacientes relatam experiências transformadoras após participarem de apresentações.
Estudos têm mostrado que a música pode melhorar as funções cognitivas, físicas e emocionais dos pacientes. Nos momentos em que as Seresteiras tocam em seu hospital, observam-se melhorias na frequência cardíaca, respiração e níveis de dor entre os pacientes, criando um ambiente que contribui para o processo de recuperação.
Além disso, a música desempe habilidade outras funções, como estimular áreas do cérebro associadas à memória e à emoção, sendo uma ferramenta poderosa na reintegração social de pacientes. Em um mundo onde a medicina se concentra mais nos aspectos físicos da saúde, a integração de uma abordagem mais holística se destaca com a inclusão da música.
Um Olhar para o Futuro do Projeto
Com mais de dez anos de existência, o futuro do projeto Seresteiras do HU parece promissor. A criação de um legado não se limita apenas ao impacto positivo que teve sobre a saúde mental dos pacientes, mas também sobre a forma como os colaboradores se veem e se conectam dentro e fora do ambiente hospitalar. O movimento da música já é uma tradição reconhecida e aceita, que obriga a reflexão sobre a importância de se dar continuidade a esses esforços.
A expansão do projeto poderia incluir a criação de novas parcerias com outros grupos ou artistas, o que aumentaria a diversidade musical e o alcance das apresentações. A busca por patrocínios e apoio cultural pode ajudar a incrementar as iniciativas, aliando recursos e talentos para agregar valor ao trabalho realizado.
Além disso, a busca por novas tecnologias e formatos de exibição (como transmissões ao vivo) pode ampliar a participação de todos os profissionais, incluindo aqueles que não estão fisicamente presentes no hospital. Formas de interação digital podem ser muito bem-vindas, considerando que muitos colaboradores atuam em turnos diferentes e nem sempre têm a possibilidade de participar presencialmente das atividades.
Por fim, os desafios que surgem ao longo do caminho devem ser vistos como oportunidades de evolução e crescimento. O envolvimento na música ajudou a estabelecer uma cultura hospitalar mais solidária e humana, e essa característica precisa ser cultivada e ampliada nos anos que virão.