Mulher é assassinada pelo ex com 23 facadas em frente ao filho em MS

O Crime em Dourados

No dia 24 de novembro de 2025, um crime brutal chocou a cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Aliene Nunes Barbosa, uma mulher de 50 anos e ex-guarda municipal, foi assassinada a facadas pelo ex-marido, Cristian Alexander Carbeza Henriquez. O ato violento ocorreu dentro da residência da vítima, na presença de seu filho de apenas nove anos. Este caso é um exemplo contundente do que se denomina feminicídio, que é o assassinato de mulheres muitas vezes motivado pela misoginia, uma forma extrema de violência de gênero.

A tragédia teve início nas primeiras horas da manhã, quando a família ainda estava em casa. Aliene estava sob uma medida protetiva contra o ex-marido, devido a episódios anteriores de violência doméstica. Apesar da proteção legal, a vida da mulher terminou de maneira brutal, colocando em evidência a fragilidade das medidas protetivas e a necessidade urgente de discutir a questão da violência contra a mulher em nossas sociedades.

Detalhes do Caso

De acordo com informações da polícia, após o crime, Cristian trancou a criança em um cômodo da casa em um ato desesperado para se esconder de suas consequências. O menino, em um momento de bravura, conseguiu escapar da prisão e pulou o muro para pedir ajuda aos vizinhos. Esta ação foi fundamental para que o caso fosse reportado e a polícia pudesse agir rapidamente, levando à prisão do suspeito. Ele foi encontrado escondido na casa da mãe e foi levado em flagrante, enfrentando agora as consequências legais de seus atos.

feminicídio

O caso de Aliene é não só uma tragédia pessoal, mas também um reflexo de uma problemática social mais ampla: a alta taxa de feminicídio no Brasil. Em 2025, este foi o 37º caso registrado em Mato Grosso do Sul, um número alarmante que supera a soma dos casos do ano anterior. Esses dados não só expõem a gravidade da situação, mas também a necessidade de abordar a questão de forma mais efetiva nas políticas públicas e na conscientização da sociedade.

Identidade da Vítima

Aliene Nunes Barbosa era uma mulher conhecida na comunidade local. Antes de seu trágico fim, ela havia trabalhado como guarda municipal e, segundo relatos, era uma pessoa querida por muitos. A sua morte deixou um vazio significativo não apenas na vida do filho, mas também na vida de amigos e colegas. Sua experiência de vida e o trabalho realizado na segurança pública destacam a importância de mulheres em papéis ativos e de liderança, além de ressaltar o horror que pode ocorrer mesmo em situações onde protegidas por lei.

O caso destaca a vulnerabilidade de mulheres, mesmo aquelas que possuem um histórico de luta e resistência, colocando em evidência a fragilidade das políticas de proteção às vítimas de violência. Aliene era uma mulher forte, mas, como muitas, sofreu com um ciclo de violência que não conseguiu escapar. Este aspecto é essencial para entendermos a questão do feminicídio: mulheres fortes, empoderadas e com história de vida são alvo de violência letal.

O Papel do Filho na Tragédia

A criança de nove anos, testemunha ocular deste crime hediondo, enfrentou uma situação insuportável. O trauma psicológico que ele sofreu terá consequências duradouras em sua vida. Literalmente, ele se viu em uma situação onde teve que pensar e agir rapidamente, pedindo ajuda aos vizinhos e, assim, salvando-se e, potencialmente, evitando que outras tragédias ocorressem. Essa bravura reflete não apenas a inocência de uma criança diante do horror, mas a realidade que muitas crianças enfrentam quando expostas à violência doméstica.

É fundamental que este menino receba o apoio psicológico necessário para lidar com os traumas que, infelizmente, acompanharão sua vida. Estudos mostram que crianças que presenciam atos de violência doméstica tendem a enfrentar desafios emocionais ao longo da vida, incluindo problemas de saúde mental, dificuldades em relacionamentos e até mesmo riscos aumentados de se tornarem perpetradores ou vítimas de violência na vida adulta.

A Frente de Proteção à Mulher

A questão da proteção às mulheres no Brasil é complexa e multifacetada. Existem leis específicas para combater a violência de gênero, e a criação da Lei Maria da Penha é um marco histórico nessa luta. Contudo, mesmo com as leis em vigor, como neste caso, as vítimas ainda enfrentam um contexto em que sua proteção efetiva muitas vezes falha. Aliene tinha uma medida protetiva e Cristian estava sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, mas isso se mostrou insuficiente para salvá-la.



Essa realidade nos leva a questionar a eficácia das medidas de proteção proporcionadas pelo Estado. As campanhas de conscientização e o fortalecimento das redes de apoio às mulheres vítimas de violência precisam ser ampliados. Além disso, um treinamento mais eficaz para a polícia e os profissionais de saúde que lidam com essas situações é essencial, garantindo uma resposta adequada de forma a proteger as vítimas e a prevenir novos casos de violência.

Consequências Legais Para o Suspeito

Cristian foi preso em flagrante e enfrenta graves acusações. As consequências legais de seus atos podem incluir uma longa pena de prisão, dado que o crime de feminicídio é tratado com extrema severidade pelas legislações brasileiras. O contexto do crime — em presença de uma criança e com sinais de planejamento e premeditação — pode agravar ainda mais a situação.

A resposta do sistema judiciário a casos de feminicídio ao longo dos últimos anos demonstrou uma tendência de endurecimento das penas, refletindo a seriedade com que a sociedade e o Estado estão encarando essa questão. Contudo, ainda existem desafios no que diz respeito à aplicação das leis e à eficiência dos processos judiciais, com muitos casos se arrastando por longos períodos sem soluções. A resposta à violência de gênero deve ser ágil e efetiva, de forma a gerar um efeito dissuasor nas ações de possíveis agressores.

Como Denunciar a Violência Contra a Mulher

É essencial que as mulheres conhecem seus direitos e os mecanismos para denunciar a violência. É possível fazer isso de maneira anônima, pelo número 180, que oferece suporte e orientação sobre como proceder. As denúncias podem ser feitas online ou por telefone, e é crucial que as vítimas saibam que não estão sozinhas e que há suporte na comunidade.

Além de abordar a questão de como denunciar, cabe ao Estado oferecer um ambiente seguro onde as mulheres possam se sentir confortáveis para reportar abusos. Essa segurança pode ser proporcionada através da criação de abrigos temporários, do acesso a serviços de saúde e apoio psicológico e das garantias de um atendimento acolhedor e sem preconceito por parte dos profissionais envolvidos.

O Que o Feminicídio Diz Sobre Nossa Sociedade

O feminicídio é um reflexo de estruturas sociais profundamente enraizadas e de um contexto cultural que muitas vezes perpetua a misoginia. Ele aponta para um tecido social que ainda luta para reconhecer e respeitar as vozes e os direitos das mulheres. Diversas pesquisas revelam que a sociedade muitas vezes minimiza a gravidade de atos de violência contra mulheres, contribuindo para a normalização desses comportamentos.

Consequentemente, é importante promover uma mudança cultural. Campanhas de conscientização, educação e diálogo aberto sobre a igualdade de gênero são fundamentais para desmantelar o preconceito e as ideias que alimentam a violência. A sociedade deve se unir para dizer não a qualquer forma de violência, seja ela física, psicológica ou sexual.

Medidas Protetivas e Seus Desafios

Embora as medidas protetivas sejam um recurso importante para proteger mulheres em situação de risco, elas não são infalíveis. Casos como o de Aliene evidenciam os desafios que essas medidas enfrentam. Muitas vezes, o cumprimento dessas ordens depende da capacidade de resposta das autoridades competentes, o que pode variar significativamente de uma região para outra.

Além disso, as medidas protetivas devem ser combinadas com um suporte contínuo às vítimas. Isso pode incluir acompanhamento psicológico, serviços sociais e grupos de apoio. O sistema de proteção precisa ser integrado e atuar de forma a criar não apenas barreiras contra o agressor, mas também um sistema de suporte robusto que ajude a mulher a reconstruir sua vida.

A Necessidade de Educação e Conscientização

A educação e a conscientização devem ser a base para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Desde a infância, é vital ensinar valores que respeitem as diferenças e que promovam a igualdade de gênero. Isso inclui abordar temas como consentimento, respeito e a condenação de comportamentos abusivos.

Além disso, a conscientização deve se estender ao nível comunitário, onde a sociedade civil pode atuar como agente de mudança. Organizar campanhas educativas, palestras, debates e ações comunitárias podem engajar a população na luta contra a violência de gênero e na promoção de um ambiente mais seguro para todos.

O caso de Aliene é, portanto, um chamado à ação. A luta contra o feminicídio é uma responsabilidade coletiva que envolve governos, organizações da sociedade civil e cada um de nós. Juntos, podemos lutar para que tragédias como essa não sejam mais uma estatística, mas sim um ponto de virada em nossa sociedade.



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